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A Internet de amanhã nas discussões de hoje
Intervenção de João Pedro Martins no EuroDIG 2018
18/07/2018

O Centro Internet Segura partilha o artigo redigido por João Pedro Martins, European Youth Ambassador for Children Internet Safety do EuroDIG 2018.

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As reuniões com várias partes interessadas (ou multi-stakeholder) visam aumentar a consciencialização sobre temas quentes das questões atuais e futuras da Internet, proporcionando um envolvimento ativo de todos, não apenas na participação, mas também no processo de planeamento de tais eventos. Eles são de suma importância para a sustentabilidade digital, embora essa abordagem enfrente vários desafios.

Na primeira semana de junho teve lugar em Tiblisi, capital da Geórgia, o 11º Diálogo Europeu sobre a Governação da Internet (o EuroDIG). Tive a sorte de poder viajar até essa bela cidade e participar no evento, sob o patrocínio do Programa YouthDIG, representando tanto a Rede Europeia de Centros de Internet Segura da Insafe enquanto Embaixador Europeu da Juventude para a segurança da Internet, bem como a Universidade de Coimbra, como finalista da Licenciatura em Engenharia Informática. Foi o meu primeiro EuroDIG e o tema foi Estratégias inovadoras para o nosso futuro digital.

No que diz respeito a experiências, acredito que tive uma grande oportunidade de aprender e partilhar pontos de vista com outros jovens e especialistas, participar no painel de duas das sessões, moderar remotamente um tópico pelo qual sou apaixonado (Inteligência Artificial), e ser uma das vozes das conclusões da juventude no EuroDIG.

O programa YouthDIG teve como objetivo apoiar e unir a participação dos jovens no EuroDIG. Nos dois dias anteriores ao evento principal, estivemos reunidos a discutir sobre como promover e melhorar a participação dos jovens e, ao mesmo tempo, aprender com exemplos e iniciativas da Geórgia, como o Parque Tecnológico para Startups (GITA). Nesse caso específico, vimos como os governos podem chegar-se à frente e fornecer ferramentas e suporte para o desenvolvimento de tecnologias disruptivas. Como ponto de conclusão do YouthDIG, foram elaboradas mensagens sobre cinco temas, nomeadamente sobre “Acessibilidade”, “Literacia Digital”, “Uma Internet que funciona para todos”, “Regulação da Internet, Privacidade de Dados e Proteção Legal contra o Cibercrime” e “Inclusão Digital”.

No Dia 0, participei num painel sobre a inclusão digital dos utilizadores seniores (leia mais aqui). Não sendo nativos digitais, é de esperar a sua resistência em transitar para o novo ambiente digital. Isso, associado à falta de usabilidade por design de softwares e hardwares, é o que os torna mais vulneráveis ​​e, ao mesmo tempo, tão importante discutir o assunto. Como a geração oposta, os jovens, eles estão mais preocupados em aceder ao conteúdo e alcançar determinados objetivos quando usam serviços online do que com a maneira como o fazem, e isso também é algo que deve ser tido em conta ao moldar uma estratégia digital para a sua inclusão.

No Dia 1, chegou a altura de falar sobre o programa Better Internet for Kids Youth Ambassadors, numa sessão sobre os direitos das crianças para uma Internet melhor. De forma abrangente, defendemos ideias e opiniões dos jovens, recolhendo e desenvolvendo argumentos fortes e levando a voz da juventude aonde deve ser ouvida, muitas vezes aos governos, à indústria ou outra parte interessada. Alguns aspetos foram abordados nesta sessão sobre a necessidade de motivar os jovens a aprender bons hábitos digitais e como reunir pais e filhos nesse processo.

No último dia foi a vez de facilitar a participação daqueles que estavam no resto do mundo, mas ao mesmo tempo interessados ​​em participar na discussão sobre Inteligência Artificial, logo tomei o papel de moderador remoto. Uma das dificuldades que tive de superar foi decidir quando apresentar os argumentos que ia recebendo, pois as ideias chegavam com o espectável atraso da necessidade dos participantes remotos escreverem e refletirem sobre os comentários. Em suma, acho que ser um moderador remoto foi uma tarefa essencial para entender completamente a dimensão do evento e dessas discussões, pois às vezes tendemos a esquecer aqueles que não estão presentes, mas que ainda assim querem fazer a diferença.

No que diz respeito às mensagens da juventude, acredito que apresentámos pontos fortes sobre as melhores práticas e questões emergentes que precisam de ser abordadas. Eu fui um dos transmissores das conclusões a que chegámos no final do EuroDIG, e para mim foi uma grande honra fazer ouvir-se a voz da juventude.

A essência do EuroDIG acabou por ser as pessoas que participaram e as conclusões a que chegámos. Espero sinceramente que essas conclusões não fiquem paradas, viajem o mundo e tornem a internet um lugar melhor. Muitos argumentaram sobre a necessidade de um processo de tomada de decisão nesses eventos com múltiplos interessados. Do meu ponto de vista, concordo que pelo menos um mecanismo para seguir a eficácia das melhores práticas indicadas deve ser implementado, para que possamos avançar com as discussões, e que também os governos e a indústria sintam a necessidade de estar mais envolvidos.

Resumindo, adorei o tempo que passei em Tiblisi. Não só me diverti a conhecer um novo país e cultura, como também aprendi que a internet é de facto uma rede de redes que reflete exatamente isso. É nosso trabalho continuar a promover a inclusão digital e a alfabetização, combater o cibercrime e defender os direitos humanos, assegurar a robustez e a acessibilidade da Internet e não esquecer o papel importante que minha geração deve desempenhar na definição da Internet de amanhã, começando hoje!

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