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Centro Internet Segura participa na Insafe Training Meeting
o grupo de participantes portugueses na ITM
21/06/2019

O Centro Internet Segura participou na Insafe Training Meeting (ITM) que se realizou entre os dias 12 e 14 de junho em Creta, na Grécia.

As ITM são momentos de trabalho importantes que têm lugar duas vezes por ano e que são preparadas em colaboração com a Insafe e o Centro Internet Segura do país que acolhe o evento. Esta ITM permitiu o debate sobre temas atuais ligados à utilização segura e responsável da Internet, apresentação de novos recursos e partilha de boas-práticas. Os grupos vulneráveis e os potenciais riscos que podem encontrar online, incluindo o discurso de ódio, foram o tema central deste evento.

O gaming e o screen time (tempo de utilização dos dispositivos eletrónicos) foram outros dos temas abordados nestas sessões de trabalho, para os quais foram convidados Andy Przybylski (do Instituto de Internet de Oxford) e Kakia Nicolaou (do Hospital Psiquiátrico de Tessalónica).

Nestas sessões de trabalho foram exploradas diferentes abordagens acerca do tempo que as crianças e os jovens despendem nos media digitais interativos (incluindo os videojogos, os media e os smartphones) e o potencial impacto que podem vir a ter na sua saúde psicológica e física.

Nestas sessões foram apresentados os diferentes enquadramentos teóricos utilizados em estudos académicos, que embora díspares permitiram uma reflexão conjunta sobre este tema e sobre como devemos avaliar as conclusões que esses estudos nos apresentam. Constatamos frequentemente que as conclusões dos estudos são muito diversas e que apontam para tendências não consensuais. As respostas que esses estudos nos dão devem ser sempre contextualizadas em função dos enquadramentos metodológicos e do número de participantes (e de inquiridos), para avaliarmos se podemos considerar que esses dados são fidedignos ou não. Por exemplo, os resultados de um estudo utilizando uma amostra muito pequena dificilmente poderá ser generalizado ou definir-se como uma tendência. Por outro lado, como os enquadramentos teóricos dos estudos são diferentes, não é possível, estabelecer com rigor tendências ou afirmar que as crianças e os jovens despendem muito ou pouco tempo nessa atividade, porque na realidade, os dados não permitem uma comparação efetiva entre dados e entre estudos.

Natasha Devon partilhou com os participantes algumas experiencias do seu percurso pessoal e profissional relacionado com os grupos vulneráveis, fazendo incidir a sua comunicação nos impactos dos media na imagem corporal. Identificou como grupos vulneráveis e mais suscetíveis de desenvolver uma doença mental, as pessoas com baixa autoestima ligada à imagem do corpo, as pessoas LGBTQI+, os filhos de migrantes de primeira geração e as pessoas com necessidades especiais de educação. Na sua apresentação foram igualmente abordados as diferenças entre o género feminino e masculino e os fatores que contribuem para a sua definição, e que vão para além do aspeto fisiológico. No final desta sessão constatamos que este é um tema controverso e que levanta várias questões ao nível da integração e da aceitação de pessoas com caraterísticas diferentes que não encaixam no padrão daquilo que é considerado “normal”.

O open space technology é um espaço tecnológico aberto e constitui um dos momentos de trabalho mais interativos das ITM. O seu formato permite a interação dos vários participantes e dos diversos Centros Internet Segura, proporcionando o espaço e os momentos adequados para conhecer novos recursos, metodologias e ferramentas de trabalho. Este espaço foi ainda utilizado para testar novos recursos e obter o feedback e contributos de outros profissionais que trabalham nas mesmas áreas, com o objetivo de valorizar e de melhorar os produtos apresentados.

No contexto deste espaço tecnológico aberto, o Centro Internet Segura português teve oportunidade de participar em vários pequenos grupos de trabalho que propuseram temáticas muito díspares, mas todas elas relacionadas com o digital e com o acesso das novas tecnologias de informação, nomeadamente a questão das competências e das diferentes estratégias e abordagens no ensino a crianças e jovens. A totalidade dos temas propostos para discussão foram muito atuais à luz das tendências e das linhas de atuação com que os Centros Internet Europeus se deparam nas suas práticas.

Assim, o Centro Internet Segura da Áustria propôs uma reflexão muito pertinente acerca da relação entre os media digitais e as alterações climáticas. E questionou sobre o conhecimento de formas simples que podemos pôr em prática para mudar comportamentos e hábitos que tenham efeito nas alterações climáticas e que recursos existem para lidarmos com este tópico e ainda o que poderá ser útil para abordar este tema quando o trabalhamos com jovens?

O Centro Internet Segura da Noruega abordou o tema “conteúdo comercial no youtube”, partilhando um vídeo desenvolvido para a promoção de uma campanha que tem o objetivo de sensibilizar os pais para a existência de mensagens comerciais escondidas nos vídeos para crianças. A criação desta campanha tem por objetivo garantir que os vídeos com conteúdo comercial fazem essa menção.

Houve espaço para refletir, de forma conjunta, sobre o trabalho desenvolvido especificamente pelos centros de sensibilização e pelas linhas de apoio e esclarecimento, onde foram abordadas temáticas como a ciber violência contra mulheres e raparigas e os desafios que mais frequentemente surgem online.

Numa nota final, consideramos que a participação em iniciativas desta natureza constitui uma das bases mais importantes, para que o trabalho dos vários Centros Internet Segura decorra de forma partilhada e em linha com as orientações estratégicas para uma utilização segura e responsável da Internet, independentemente da língua que falamos e do país, ou contexto, em que nos encontramos.

 

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